Descobri recentemente que acredito em muita coisa, e principalmente na alma.
As vezes a gente fica triste sem motivo, ou acorda chateado, nervoso, com vontade de que todas as pessoas do mundo sumam...sério, acho que não é antipatia nem nada, é a alma.
A alma é a gente na forma etérea. Uma fumacinha esperta que carrega tudo.Quando a memória não lembra mais a alma ainda guarda, vive pesada, cansada e cheia e acho que as vezes ela se estressa, sai pra dar um passeio, e fica aqui na terra o corpo vazio, quer dizer, sem alma, mas cheio das coisas que a alma deixa quando sai pra espairecer, nessa hora você lembra do vacilo no boteco no fim de semana, e também de uma frase dita sem pensar há 15 anos. Você sente o friozinho na barriga do primeiro olhar, e sente a punhalada do último, o cheiro de todos os perfumes, da sua mãe até o da sua professora detestável do ensino médio, sente o gosto de coisas boas e ruins. Nessas horas você sente. A alma é um anestésico poderoso, e quando ela está conosco nos adormece, aguenta o tranco, mas quando ela se ausenta, nós que aguentamos tudo. Tem gente que nunca tem a alma consigo, gente que tem sobrecarregado a alma com sentimentos e ações infindáveis. Essas pessoas se amargam, se machucam e machucam os outros para chamar a atenção da alma, é que a alma não é ruim, ela percebe quando estamos pra pirar e volta, faz carinho e nos faz anestesiar de novo. Tem gente que tem a chamada "paz de espírito", essa gente faz acordo com a alma, não é possível!, não guarda rancor e nunca perde a calma, a alma? Ela ta sempre lá, é gente equilibrada. Mas eu não sei, acho que também não é tão bom assim, a gente precisa sofrer um pouco sabe? Ver o que passou, senão tende a repetir.
Os momentos sem alma doem, mas no fim a gente esquece, sempre esquece, basta ela voltar, deitar dentro do nosso corpo e nos acariciar. Aí a poesia faz sentido, a música triste para e dormimos sorrindo, sabendo que tudo já passou, e o que não passou vai passar.
Mas tá faltando alma, elas devem estar por aí, estressadas demais pra voltarem, ou perdidas, não sei. As pessoas atropelam a si mesmas e aos outros e gritam desesperadamente por um momento de paz com as suas almas, algo que não têm há tempos, espero que consigam, não sei em que convenção essas almas se meteram...não sei.
A minha? De tempos em tempos ela cansa, sai pra dar uma volta e me deixa com minhas bagagens, como uma velhinha numa estação de trem. Eu espero o trem chegar, se eu conseguir levantar eu levanto, levo umas bagagens importantes, deixo outras, aquelas de papel velho e fotos amarelas, pego o trem e a sigo, se eu não consigo, abro as bagagens, como um lanche e aproveito as memórias, com um pouquinho de saudades, por que não? mas sabendo que o que passou, passou, e assim como o trem, pode voltar ou não. As vezes diferente, as vezes nem volta, as vezes é outro trem. As vezes trás minha alma de volta, e juntas vamos embora, carregando a bagagem das memórias.