sábado, 6 de outubro de 2012

Sobre almas e bagagens



Ta faltando alma.
Descobri recentemente que acredito em muita coisa, e principalmente na alma.
As vezes a gente fica triste sem motivo, ou acorda chateado, nervoso, com vontade de que todas as pessoas do mundo sumam...sério, acho que não é antipatia nem nada, é a alma.
A alma é a gente na forma etérea. Uma fumacinha esperta que carrega tudo.Quando a memória não lembra mais a alma ainda guarda, vive pesada, cansada e cheia e acho que as vezes ela se estressa, sai pra dar um passeio, e fica aqui na terra o corpo vazio, quer dizer, sem alma, mas cheio das coisas que a alma deixa quando sai pra espairecer, nessa hora você lembra do vacilo no boteco no fim de semana, e também de uma frase dita sem pensar há 15 anos. Você sente o friozinho na barriga do primeiro olhar, e sente a punhalada do último, o cheiro de todos os perfumes, da sua mãe até o da sua professora detestável do ensino médio, sente o gosto de coisas boas e ruins. Nessas horas você sente. A alma é um anestésico poderoso, e quando ela está conosco nos adormece, aguenta o tranco, mas quando ela se ausenta, nós que aguentamos tudo. Tem gente que nunca tem a alma consigo, gente que tem sobrecarregado a alma com sentimentos e ações infindáveis. Essas pessoas se amargam, se machucam e machucam os outros para chamar a atenção da alma, é que a alma não é ruim, ela percebe quando estamos pra pirar e volta, faz carinho e nos faz anestesiar de novo. Tem gente que tem a chamada "paz de espírito", essa gente faz acordo com a alma, não é possível!, não guarda rancor e nunca perde a calma, a alma? Ela ta sempre lá, é gente equilibrada. Mas eu não sei, acho que também não é tão bom assim, a gente precisa sofrer um pouco sabe? Ver o que passou, senão tende a repetir.
Os momentos sem alma doem, mas no fim a gente esquece, sempre esquece, basta ela voltar, deitar dentro do nosso corpo e nos acariciar. Aí a poesia faz sentido, a música triste para e dormimos sorrindo, sabendo que tudo já passou, e o que não passou vai passar.
Mas tá faltando alma, elas devem estar por aí, estressadas demais pra voltarem, ou perdidas, não sei. As pessoas atropelam a si mesmas e aos outros e gritam desesperadamente por um momento de paz com as suas almas, algo que não têm há tempos, espero que consigam, não sei em que convenção essas almas se meteram...não sei.
A minha? De tempos em tempos ela cansa, sai pra dar uma volta e me deixa com minhas bagagens, como uma velhinha numa estação de trem. Eu espero o trem chegar, se eu conseguir levantar eu levanto, levo umas bagagens importantes, deixo outras, aquelas de papel velho e fotos amarelas, pego o trem e a sigo, se eu não consigo, abro as bagagens, como um lanche e aproveito as memórias, com um pouquinho de saudades, por que não? mas sabendo que o que passou, passou, e assim como o trem, pode voltar ou não. As vezes diferente, as vezes nem volta, as vezes é outro trem. As vezes trás minha alma de volta, e juntas vamos embora, carregando a bagagem das memórias.

Escrever e a inércia

Essa semana eu terminei de ler um livro chamado Inércia, a Geração Y no limite do tédio, de uma autora jovem, mas muito talentosa, chamada Melissa de Miranda, e fiquei extremamente deprimida, mas bem esclarecida na verdade.
A Geração Y é a que vem depois da X (sério Jordan?), se você nasceu depois de 1982 você faz parte dessa geração. O livro tenta explicar o motivo pelo qual os jovens são aparentemente tão entediados e sem objetivos.
Não vou me estender no assunto, vai procurar que você acha.
Também estou terminando de ler o livro O amor é um cão dos diabos, do Bukowski, meu escritor preferido de toda a face da Terra!, eu estava lendo O Fabulário Geral do Delírio Cotidiano, mas entrei na ideia de ler poemas e acabei com outro Buk nas mãos. De fato o livro é incrível. A maioria dos poetas escrevem sobre amor e coisas profundas e bonitas. Buk escreve sobre sexo e putas e bebidas e vômito e sua vida tão tediosa quanto conturbada, e é incrível!
Eu ando tentando escrever poemas, eu escrevia antes, mas eram todos muito ruins. O fato é que não sai nada, nadinha. Eu escrevo, reescrevo, e nada. Eu nunca consigo sair da quinta página quando escrevo um conto, e poemas são sempre tão difíceis, sei lá, eu sempre enfio neles tudo o que estou lendo e ouvindo, eles não são pessoais nem nada, acho que é por isso que são ruins, sem sentimento.
Acho que todo mundo que tenta escrever passa por crises do tipo: "Eu nunca serei tal autor", e não será mesmo, você só pode ser você.
Estou escrevendo um conto, com um personagem masculino, mas ainda não saí da primeira página, talvez eu  leve algum tempo, mas assim que terminar vou criar um blogue pra ele, ele merece rs Preciso de um nome para o cara, ou um apelido, só chamo ele de cara, e acho que ele se sente ofendido, sei lá, por isso não fala comigo sempre.
Ou talvez eu seja esquizofrênica e por isso converso com personagens da minha mente...rsrs
Escrever é um delírio...